quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pelo Direito de Ter um Amigo [Por Marcos Suzin]

Eu queria um amigo assim, um amigão;
Alguém com quem eu pudesse contar todos os dias;
Que eu não precisasse filtrar as palavras;
Que não me obrigasse a fazer uso da prudência;
E que não exigisse de mim o bom uso da sabedoria,
Para saber se as coisas que me diz são ou não verdade.


Eu queria um amigo que não fosse volúvel, nem solúvel;
Que não fosse degradante, nem desagradável;
E que tivesse coragem de me dizer umas verdades,
Ainda que doídas.


Eu queria um amigo que não fosse um amigo, mas um irmão.
Não me importo se homem ou mulher,
Apenas queria que fosse meu amigo,
Alguém que fosse do mesmo tom, uníssono,
Um perfeito diapasão, que me ajudasse a encontrar o prumo.


Na verdade, nem sei mais o que procuro;
Se um amigo ou um anjo,
Se um anjo ou um santo,
Se um santo ou o próprio Deus.
Só sei que eu queria um amigo que não medisse o sangue,
Não contasse as lágrimas, e não me inquietasse.
Um amigo que soubesse ler os pensamentos e compreender os sentimentos,
Sem, contudo, me julgar por uns ou por outros.


E – mais! – um amigo que me ensinasse a compreender esse completo despojo,
Esse vazio de presença e consolação humanas.
Um amigo que fosse meu arroubo, meu baluarte,
Meu alicerce inabalável,
E ainda assim em nada se ensoberbecesse e de nada se orgulhasse.


E, quando mais procurava e menos entendia,
Descobri que este amigo já existia;
E era mais do que tudo que eu pensava.
Mas com um jeito estranho de mostrar seu amor,
E de entregar seu Coração, oculto num pedacinho de Pão.
(Marcos Suzin, 05-02-2012, 16h30min)

Um comentário:

  1. Esse amigo está e estará sempre escondidinho no sacrário tbém em seu coração. Ao procurá-lo dentro de si em cada comuhão comungada com amor e verdadeira adoração, mas tbém ação de graças. Não existe um amigo e amor semelhante a este.

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