quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Os Católicos são idólatras? Adoram imagens? Saiba o que isso significa! Saiba posicionar-se!

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


E QUANTO ÀS ACUSAÇÕES DE IDOLATRIA E ADORAÇÃO DE IMAGENS?
Tenho certeza que você, querido leitor, já se deparou com os questionamentos oriundos do meio protestante, nos quais, muitas vezes, somos acusados de idólatras e adoradores de imagens.
Os fundamentos das acusações normalmente são retirados do capítulo 20 do Livro do Êxodo e dos Salmos 115 (Heb), 4-8 (113, 12-16 na versão grega) e 134 (Heb 135) 15-18.
Vou demonstrar que tais citações e passagens não se aplicam às imagens católicas, muito menos aos ícones e estatuetas representativos da Santíssima Virgem Maria, de São José, dos santos, dos anjos e de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos ver o que nos revela o capítulo 20 do Livro do Êxodo:
"1. Então Deus pronunciou todas estas palavras: 2. “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. 3. Não terás outros deuses diante de minha face. 4. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. 5. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, 6. mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7).”[1]
Em primeiro lugar, é preciso fixar-se no tempo, para verificar quando ocorreu o êxodo de Israel do Egito e qual a realidade vivida pelo povo naquela circunstância.
A narrativa se refere ao ano aproximado de 1250 a.C. (um mil, duzentos e cinquenta anos antes de Cristo), quando Moisés liderou a saída do povo israelita do Egito. Note-se que a Palavra diz claramente “que te fez sair do Egito”, principal e mais poderoso país da antiguidade, onde os hebreus permaneceram durante 400 (quatrocentos) anos desde a chegada de Jacó e seus filhos.
Em outras palavras e voltando um pouco mais no tempo, observa-se que Jacó e seus filhos, dos quais se originaram as 12 (doze) tribos de Israel, chegaram ao Egito por volta de 1650 a.C., deixaram o país dos faraós em 1250 a.C., tendo, portanto, a nação dos hebreus se formado a partir dos filhos de Jacó e permanecido no Egito durante 4 (quatro) séculos, período no qual foram paulatinamente reduzidos à condição de escravos, sendo, por fim, libertados pela mão poderosa de Deus e de seu instrumento Moisés.
Durante a longa estada no Egito, os descendentes de Jacó se multiplicaram de modo a constituir uma populosa nação dentro do próprio Egito, despertando, inclusive, a inquietação das lideranças egípcias.
Durante esses quatro séculos, os judeus, principalmente após a morte de José, filho de Jacó e Raquel, foram oprimidos e submetidos à cultura e à religião egípcia. Muitas vezes foram constrangidos a assumir o modo de vida egípcio, além de cultuar suas divindades e de esculpir monumentos em homenagem aos deuses do Egito.
Isso obviamente ofendeu muito a fé do povo israelita, lembrando que Israel era a única nação monoteísta do mundo antigo e formava o único povo que realmente conhecia a Deus. Muitos, no entanto, acabaram aderindo às práticas idólatras e politeístas dos egípcios, sendo intuitivo que houve grave prejuízo à identidade religiosa do povo de Israel, muito embora tal identidade em nada pudesse ser extinta por conta das promessas feitas por Deus ao patriarca Abraão.
Desta forma, já orientados e fixados no tempo, observa-se que, para compreender adequadamente a citação antes transcrita, também é preciso estudar a história do Egito e a sua religião, para, então, compreender o que real e verdadeiramente significam as expressões constantes no capítulo 20 do Livro do Êxodo.
Pois bem, vamos a um rápido estudo sobre a religião dos egípcios.
Como falado anteriormente, o Egito, como as demais nações do mundo antigo, era politeísta, ou seja, os egípcios adoravam a vários deuses, cada um deles com suas características e especialidades próprias. Além disso, a religião era baseada no culto de seres com representação antropozoomórfica, ou seja, que eram, no mais das vezes, parte humano e parte animal, ou, ainda, zoomórfica, quando a divindade cultuada tinha unicamente o aspecto animal.
A principal divindade cultuada pelos egípcios era “Amon-Rá” (vide à esquerda), cujos templos eram Luxor e Carnac. Tal deus era o “sol que dá vida ao país” e sua representação tinha a figura humana de um rei com duas plumas no lado direito da cabeça, sendo, por vezes, representado pelas figuras zoomórficas de um carneiro ou de um ganso. “Amon-Rá” era o “sol”, ou seja, conforme a referência bíblica antes mencionada, “aquele que está em cima, nos céus”, lembrando que os egípcios adoravam os astros, especialmente o sol. 
Amon-rá
 Outra divindade cultuada pelos egípcios era “Anúbis”, o chamado “mestre dos cemitérios”, que presidia as mumificações, pesava os corações dos mortos para saber-lhes a sorte que se adviria no além da vida. Este é o que estaria “debaixo da terra” e tinha a cabeça de cachorro selvagem (chacal) e corpo humano (vide imagem abaixo).
Anúbis
  As divindades que estariam “nas águas” ou “sobre a terra” poderiam ser claramente um dos tantos deuses com aspecto zoomórfico cultuados pelos egípcios, referidos como “aves, quadrúpedes e répteis” por São Paulo na Carta aos Romanos (Capítulo 1, versículo 23). Vários deuses egípcios tinham forma de crocodilo (sobeck, ligado à ideia de terror e aniquilamento, apontado como devorador do coração de outra divindade egípcia referia como Osíris), porco-formigueiro (Set, apontado como responsável pelas guerras e pela escuridão) ou cabeça de aves de rapina (Hórus, que era representado com cabeça de falcão, sendo cultuado como o protetor dos faraós).
Portanto, conforme a exposição acima, as imagens que Deus proibiu quando estabeleceu as condições de sua aliança são as figuras representativas dos deuses do Egito e, eventualmente, outros ídolos dos povos da Mesopotâmia, observando-se que por onde Moisés passava os ídolos desmoronavam, rotina que foi reeditada por Nosso Senhor Jesus Cristo quando de sua oportuna, necessária e breve passagem pelo Egito enquanto a Sagrada Família fugia das ira impiedosa de Herodes e se mantinha fora de sua jurisdição na Terra dos Faraós. Alguns dos deuses do Egito também eram cultuados na Europa pré-cristã, observando que o culto cristão fez ruir todos esses ídolos e Jesus assumiu definitivamente a condição de Luz do Mundo.
Isso significa dizer, conforme demonstrado, que as imagens que Deus proíbe são das imagens representativas dos ídolos pagãos, da religião egípcia e das suas influências que eram muito disseminadas no mundo antigo nos mais variados lugares.
Isso tanto é verdade que o próprio Deus, no mesmo Livro do Êxodo, porém agora no capítulo 25, versículo 18, mandou Moisés providenciar que fossem esculpidas imagens de dois querubins de ouro para serem colocados um de cada lado da Arca da Aliança. Mais diante, no Livro dos Números, capítulo 21, versículo 8, Deus mandou esculpir a imagem de uma serpente de bronze para curar os picados pelas serpentes que infestavam o acampamento; imagem esta que o próprio Jesus Cristo fez menção no Evangelho, comparando a elevação da serpente de bronze à sua própria elevação na cruz (João 3,14). Ainda mais um pouco, Deus ordenou a Salomão que esculpisse imagens de dois leões, bois e querubins para serem colocados no templo (I Reis 7, 29; e II Crônicas 3 e 4).


Isso deixa claro que as imagens proibidas são justamente aquelas que representam deuses pagãos, ou seja, os deuses do Egito, os quais foram “despedidos de mãos vazias” por Deus, pois eram usurpadores da glória que somente a Deus é devida. Com efeito, não é “Amon-rá” a luz do mundo, mas Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Importa, igualmente, observar que, no Antigo Testamento, não havia e não se podia representar qualquer imagem de Deus, pois sequer seu Santo Nome podia ser pronunciado. Entretanto, sabemos que, em Cristo, Deus assume a forma humana, ou seja, encarna-se e se faz matéria, razão pela qual cremos, a partir de Cristo, a matéria se torna canal da graça de Deus. No Antigo Testamento, Deus não podia ser visto, porém, depois de Cristo, passa a ter uma imagem, Jesus Cristo, a imagem do Deus invisível, conforme Colossenses 1,15, lembrando, ainda, das palavras de Jesus: “Aquele que me viu, viu também o Pai” (João 14, 9).
Também lembramos que a Tradição nos ensinou que Jesus deixou sua própria imagem impressa no tecido utilizado por Verônica para enxugar a sua face durante o trajeto de Jesus com a cruz às costas rumo ao Monte Calvário.
Dessa forma, resumidamente, nós tempos imagens, porque o próprio Senhor Jesus é uma imagem do Deus invisível e por que Ele mesmo quis deixar sua imagem em nós e para nós.
Compreendida essa questão, precisamos definir de modo didático e acessível o que é “idolatria”, para, assim, deixar as pessoas tranquilas, confiantes e livres de qualquer inquietação, lembrando que tudo o que vem do Espírito Santo deixa a alma tranquila e em paz.
Antes, porém, observo que não é o objetivo desta pequena obra ser teológica, técnica, científica ou esquematizada em doutrinas e conceitos. O objetivo do autor é se fazer compreender por qualquer pessoa, seja qual for seu nível de escolaridade.
Portanto, convido você a exercitar a seguinte dinâmica para estabelecer o que é e o que não é “idolatria”.
Lembre que idolatria é algo que aponta para o mundo, ou seja, é essencialmente mundana, fazendo com que as pessoas esqueçam a Deus e se ocupem exclusivamente com coisas do mundo, com divertimentos, distrações, passatempos, passeios ociosos, prazeres, satisfação de deleites carnais, egocentrismo, secreta preferência de si mesmo, trabalho excessivo e atentatório contra a própria saúde, ganância (culto a Mamom). As devoções e a prática religiosa verdadeira, pelo contrário, abrem nossos olhos, livram-nos da cegueira espiritual e nos mostram o caminho para o Céu, nos fazendo relativizar tudo o que não contribui para a nossa salvação.
Entre as idolatrias modernas, além do que mencionei até aqui, também temos o trabalho excessivo[2] com o objetivo de ter tudo o que foi mencionado no parágrafo anterior, a corrupção e todos os pecados referentes a obtenção ilícita de dinheiro, o apego às vaidades, o culto do corpo, das aparências, das ilusões, o apego às próprias convicções. Quantos que arruínam a própria saúde e a própria vida motivados por ganância e vaidades!
Insisto, idolatria é tudo que aponta para o mundo e que nós colocamos no lugar de Deus, muitas vezes sufocando a verdade ou, como se diz popularmente, “tapando o sol com a peneira”.
Uma pessoa que passa duas horas na frente de um televisor assistindo um filme, novela ou jogo de futebol e não tem tempo para rezar um terço ou para ir à Missa é um idólatra, pois dedica seu tempo unicamente a coisas que não levam à salvação e não remetem a Deus. Com efeito, quem se entrega às distrações do mundo desperdiça precioso tempo destinado à nossa salvação e à obtenção de méritos para a eternidade.
Quem trabalha demais para ter um padrão de vida “invejável” e não tem tempo para Deus é um idólatra, pois bem sabe que não levará nada de seus esforços após sua morte.
Tudo o que colocamos no lugar de Deus ou que nos mantém distraídos durante o tempo que temos para buscá-Lo é idolatria, com clara e evidente violação do primeiro mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”.
Lógico que precisamos trabalhar, descansar e ter momentos de lazer, mas isso não pode nos consumir a ponto de não sobrar tempo algum para Deus, pois sempre temos tempo para aquilo que amamos.
É uma questão de prioridades que exige uma ponderação equilibrada, até por que há formas de estar unido a Deus mesmo em meio às ocupações habituais, o que significa dizer que o trabalho produtivo não é empecilho à união com Deus, mas o trabalho feito com excessos motivados pela ganância e pela ilusão incontida de ter sempre mais e ostentar um padrão de vida opulento que configura idolatria, pois a pessoa se distrai, perde o foco do Céu e desperdiça tempo precioso esquecendo-se de Deus.
Como todos sabemos, as coisas do mundo ficam não mundo, ao passo que o que é Deus está em Deus. Quem não ajunta bens espirituais em Cristo, ocupando-se em acumular bens materiais, na verdade espalha e perde tais bens, ou, com diz a Palavra: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu (...). Porque onde está o teu tesouro, lá também está o teu coração” (Mateus 6, 19-20) e “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha” (Mateus 12, 30).   
O equilíbrio na administração dos bens vem com a consciência e a sobriedade, pois o Senhor bem sabe que precisamos dos bens materiais, porém exige que priorizemos o Reino, prometendo que “todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mateus 6, 33).
No mais, observo que o diabo é um mestre distraidor! Um astuto estrategista do ócio e das ocupações inúteis!
As distrações nos prendem ao mundo, nos fazem perder tempo precioso e nos fazem esquecer o Céu, enfim, nos entorpecem e nos adormecem. A graça, no entanto, nos sacode: “Desperta tu que dormes” (Efésios 5, 15).
Note-se que, não por acaso, as pessoas que mais ganham dinheiro no mundo são justamente as pessoas que “vendem” distrações, enfim, tudo o que nos faz perder tempo com coisas que não levam à salvação e nos fazem esquecer de Deus, único, eterno e imutável bem.
Isso tudo que nos ocupa e nos faz esquecer Deus é idolatria!
A fé verdadeira e a graça de Deus dispensada por Maria Santíssima, pelo contrário, aponta para o Céu e nos faz trocar as coisas do mundo pelo Reino dos Céus, nos faz aproveitar bem o tempo para cooperar com nossa salvação e obter méritos para a eternidade, além de ajudar as outras pessoas a seguirem o mesmo caminho.
Assim exortou o Apóstolo: “Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus” (Efésios 5, 15-16). Assim já havia ensinado o Senhor: "Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor” (Mateus 24, 42).
As devoções estimuladas pela Igreja têm justamente o objetivo de nos centrar na fé verdadeira e nos direcionar para o Céu, nos encorajando a colocar em prática os ensinamentos de Jesus e viver sempre na sua companhia, aproveitando o precioso tempo que temos.
 O calendário litúrgico nos permite aproveitar bem o tempo durante o ano todo.
 Feitas estas observações, pergunto a você: A devoção à Santíssima Virgem Maria nos fixa no mundo ou nos remete e nos faz lembrar o Céu?
Lembrem-se do que falou Nossa Mãe Maria Santíssima nas Bodas de Caná, quando disse: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2, 1-12).
É lógico que Maria nos remete ao Céu! Nos encaminha para o Céu! Maria nos desperta da cegueira e nos mantém acordados durante nossa peregrinação na terra.
Mesmo quando nos socorre em relação a necessidades unicamente temporais, como é o caso de desemprego, problemas de saúde ou outras situações aflitivas, Maria sempre tem em vista o Céu e, além da graça que socorre a situação momentânea, assinala seus filhos e os chama ao convívio de Jesus Cristo, convívio do qual Maria desfruta desde sempre, juntamente com o Patriarca São José. Lembre que uma mãe quando leva um filho à escola ou quanto o repreende e castiga, faz isso para o bem do filho e para que a criança tenha um bom futuro e uma boa formação, mas sempre a leva para casa depois das aulas, sempre mantém o filho perto de si na segurança e no aconchego do ambiente familiar.
Lembre que Maria é fidelíssima esposa do Espírito Santo e, assim como as obras do Paráclito são sempre completas, observamos que quando a Mãe do Senhor nos ajuda em questões temporais, também nos encaminha nas questões espirituais de modo que, quando ajuda uma pessoa a obter um bom emprego, Maria também deixa nesta mesma pessoa marcas tão profundas que ela vai, por conta da graça de Deus dispensada por Maria, acabar encontrando Jesus e sendo salva por Ele.
Então a devoção à Santíssima Virgem não é idolatria!... A devoção a São José não é idolatria!... As devoções legitimamente autorizadas pela Igreja não são idolatria!...
Mas, por outro lado, observamos que a preocupação exagerada com a forma do corpo, com a ostentação de uma vida rica, o apego exagerado às coisas, às pessoas, ao dinheiro, ao futebol etc. nos prendem ao mundo e nos fazem perder tempo com coisas mundanas, sendo, justamente por isso, a verdadeira idolatria dos tempos modernos.
Há também a idolatria das personalidades, das doutrinas, das opiniões, da vontade própria, do desejo de colocar-se no “centro”.
Isso tudo nos prende ao mundo, nos cega e nos faz perder tempo com coisas do mundo, isso tudo é idolatria.
Por fim, lembremos que tudo o que fazemos em Maria e por Maria, fazemos em Cristo e por Cristo, pois Maria, como demonstrado noutro momento, encaminha tudo para Cristo. Tudo o que consagramos a Maria, Ela consagra a Cristo; tudo o que pedimos a Maria, Ela pede por nós a Cristo; tudo em Maria remete a Cristo, sendo insensatez e irresponsabilidade pensar o contrário.

* O Trecho acima é parte integrante do livro "Por que sou devoto de Maria?!" de Marcos Suzin. Em caso de utilização deste conteúdo, favor citar a fonte e observar a Lei no tocante aos direitos autorais.







[1] Êxodo, 20 - Bíblia Católica Online
[2] Workaholic. Que ou quem é viciado em trabalho; trabalhador compulsivo.

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