domingo, 16 de dezembro de 2012

Deus, uma estranha forma de amor.


O que me levou a escrever este texto foi justamente a dificuldade em compreender o amor de Deus, bem como a forma como esse amor se manifesta em relação à espécie humana.

“Como o Pai me enviou, assim também eu envio a vós”, disse Jesus aos seus discípulos pouco tempo após a ressurreição, para depois mandá-los pelo mundo afora, para pregarem o Evangelho, e, como consequência, sofrerem muitas tribulações por causa do nome de Jesus.

Se você observar bem, Jesus amou tanto a seus discípulos e apóstolos que os enviou - a maior parte deles - para o martírio, para serem perseguidos, agredidos, presos e mortos por causa da Boa Notícia, que foi propagada a pesar de toda a perseguição.

Aí já se pode perguntar.

Seria conveniente mandar seus melhores amigos para situações tão sofridas, inclusive para serem aniquilados?

Obviamente que a pergunta não é de fácil resposta, tanto que me propus a escrever isso justamente porque é preciso refletir com cuidado.

Ainda durante sua pregação, em seus discursos, Jesus afirmava: “Renuncia a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-me” (Lucas 9, 23), observando-se que a cruz já era tida nessa ocasião como um símbolo de suplício, o pior deles, uma vez que os romanos realizavam muitas execuções nos arredores das cidades, de modo que as cruzes faziam parte da paisagem e do cotidiano do povo.

Com efeito, o caminho que Jesus ensinou, e que Ele mesmo trilhou, é justamente o caminho da cruz, em estrita obediência à vontade de Deus. Dessa feita, pondera-se, se o Pai enviou o Filho, para este sofresse e fosse obediente até à morte, e morte de cruz, e que o Filho enviou seus discípulos para serem também, em estrita obediência ao Divino Mestre, objeto de perseguições, sendo que muitos deles foram mortos, pergunta-se:

Não é uma estranha forma de amor esta que Deus tem para com seus escolhidos?

Partindo de uma visão humana, com certeza é muito estranha, mas Deus justamente assim procede para assegurar a seus servos uma recompensa incomparavelmente maior que todos os sofrimentos suportados por causa do Evangelho. Além disso, provera Deus, em seus insondáveis desígnios, que muitos dos seus eleitos não gozassem dos prazeres terrenos e temporais, reservando-lhes toda a felicidade para Eternidade, onde os ladrões não roubam e onde a alegria não tem fim.

Quando da conversão de São Paulo, Jesus mandou Ananias visitar o então Saulo de Tarso, para que impusesse as mãos sobre ele e lhe fizesse recobrar a visão perdida quando da experiência pessoal com o Senhor. Ananias inicialmente relutou: “Senhor, bem sabem o mal que este homem tem feito a teus seguidores em Jerusalém”; ao que Jesus respondeu: “eu mesmo mostrarei a Saulo tudo o que ele deverá sofrer por causa do meu Nome.” A partir de então, Paulo anunciou Jesus aos pagãos e se tornou o grande apóstolo dos gentios, sofrendo muitas e muitas perseguições, sendo preso várias vezes e, por fim, condenado à morte por Nero.

Outro fato de grande interesse encontrei no Diário de Santa Faustina, mais precisamente no parágrafo 838:

“838 +Admiro-me diante de tantas humilhações e sofrimentos que sofre esse sacerdote nessa questão. Vejo-o em momentos especiais e amparo-o com a minha indigna oração. Somente Deus pode dar tanta coragem, porque, de outra forma, a alma não suportaria; mas vejo com alegria que todas as adversidades estão contribuindo para a maior glória de Deus. O Senhor não tem muitas almas assim. Ó eternidade infinita, tu iluminarás os esforços das almas heroicas; por esses esforços a Terra paga com ingratidão e o ódio; essas almas não têm amigos, são solitárias. E nessa solidão elas se fortalecem, tiram força apenas de Deus e, como humildade, mas também com a coragem, enfrentam as tempestades que se abatem sobre elas. Essas almas, como altos carvalhos, são inabaláveis. Aqui existe apenas um único segredo: que recebem de Deus essa força, e têm tudo o que necessitam para si ou para os outros. Carregam seu peso, mas sabem fazê-lo e são capazes de tomar sobre si os pesos dos outros. São colunas luminosas nos caminhos de Deus, vivendo elas próprias na luz e iluminando os outros. Elas mesmas vivem nas alturas e sabem indicá-las aos outros menores, ajudando-os a atingi-las."

Dessa forma, é difícil para nós compreendermos o Amor de Deus, porém não esqueçamos que Deus é Pai, e todo bom pai sempre faz o melhor para seus filhos. Assim, confiemos na misericórdia do Senhor, especialmente na sua bondade, e esperemos dEle sempre o melhor, ainda que aos olhos do mundo não o pareça.

A Paz de Jesus e o Amor de Maria!

Um comentário:

  1. Bom dia. Muito interessante o texto. Mas te confesso que ue realmente não entendo mais o amor de Deus.... de algumas coisas realmente desisti. Todos os dias acordo cedo para assistir a missa, ou melhor mais ouvir enquanto tomo café e vou trabalhar e vou ao meio dia na missa. Sempre me fez muito bem... Mas agora não tenho mais vontade e forças... Hoje por exemplo, marquei outro compromisso ao meio dia, não irei na missa. Quanto mais tentamos mostrar o amor de Deus e seguí-lo, menos somos compreendidos.
    " as pessoas unidas pela fé sempre estão em sintonia"

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