sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Combati um Bom Combate, Guardei a Fé [O ano da fé]


Combati um Bom Combate, Guardei a Fé

Eu tenho observado nos últimos dias como alguns cristãos estão inquietos com toda a confusão lançada acerca da doutrina cristã, uma vez que se multiplicam as seitas e as “igrejas”, trazendo com isso um repertório de novos conceitos, de novas interpretações e um turbilhão de julgamentos e condenações, especialmente contra a fé católica.

Inicialmente, gostaria  de dizer que a fé é um dom de Deus, ninguém tem fé simplesmente por que quer, mas por que Deus assim o concede. Muitos gostariam de ter uma fé forte e inabalável, outros de ter uma certeza viva acerca daquilo que não se pode ver, mas, por um ou outro motivo, não conseguem.

A fé viva é silenciosa, não se exalta, não se vangloria e quase não precisa esforçar-se para ver tudo o que é oculto aos olhos do corpo, mas claríssimo aos olhos da alma. A fé viva não julga e nem condena, pois rende culto à Divina Misericórdia. A fé verdadeira enche-se de amor e caridade e, justamente por isso, nada faz de inconveniente, não agride, não ofende, não exalta a si mesma e não tem dificuldade alguma para fazer bom uso do silêncio e depositar toda sua esperança em Deus.

Entretanto, é preciso observar e atentar que, uma vez que recebemos este dom, este presente de Deus, precisamos cuidar dele e, de modo forte e vigoroso, protegê-lo contra os atentados que são, quase que o tempo todo, lançados contra a fé católica.

A fé católica tem como fundamento a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério. Há, portanto, um conjunto de três colunas, que tem como alicerce o próprio Cristo,  sobre o qual se assenta. Os cristãos protestantes fundamentam a sua fé unicamente na Escritura, e por causa dessa opção, não conseguem entender muitas situações da fé cristã, mesmo diante da observação feita pelo Evangelista João, que deixou claro que “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos” (Capítulo 21, versículo 23).

Não bastasse isso, por falta de humildade e pura teimosia, os protestantes se insurgem, cada dia com mais prepotência, contra os postulados da Igreja Católica, procedendo a julgamentos temerários e irresponsáveis, como se Deus não fosse sábio o suficiente para julgar os vivos e os mortos.

Diante de tudo isso, nossa fé cristã é posta à prova, e muitas vezes atacada de modo covarde e impiedoso, justamente por quem se vangloria do Evangelho, mas não o cumpre e ainda o deturpa para justificar suas arbitrárias opções.

Lógico que não são todos os protestantes que abominam a fé católica, há uma minoria que respeita, mas, infelizmente, são muitos os que se levantam, julgam, condenam e abominam o que não conhecem.

Em relação a nós, temos o dever de guardar a fé, protegendo-a da crescente contestação ao magistério e à santa doutrina. Quando somos assediados, temos o dever de não permitir que tais pessoas, algumas ao sabor do erro outras da má-fé, mas ambas aconselhadas pelo maligno, abalem ou destruam a nossa fé. Deus nos concedeu esse dom, o dom de ver com os olhos da alma, de ter uma certeza inabalável acerca do que não se pode ver, mas a nós cabe cuidar da fé e mantê-la intacta diante dos crescentes e reiterados ataques.

Aquele que atenta contra a fé cristã é um assassino espiritual, mas o cristão, especialmente o católico, que permite que um estranho abale ou destrua a sua fé, é um suicida espiritual. Não há desculpa, não podemos permitir que alguém, seja quem for, abale a nossa fé, pois aí estaríamos negligenciando o cuidado com o belíssimo dom que Deus nos deu.

São Paulo, ao fim de sua vida, escreveu: “Combati o bom combate, guardei a fé. Isso significa que também nós deveremos combater o bom combate, isto é, vencer e resistir a tudo o que se opõe à nossa fé em Jesus e sua bem-aventurada Mãe, e guardar essa mesma fé contra as reiteradas investidas dos falsos profetas, cada vez mais audaciosos e inescrupulosos. Assim, a exemplo de São Paulo, poderemos esperar a coroa da glória, que é a generosa recompensa de Deus aos seus fiéis.

Por último, registro que não estamos estimulando o confronto ou a violência em torno de postulados religiosos, mas estamos exortando a todos os católicos que não permitam que sua fé seja abalada por pessoas que fazem um julgamento inoportuno e equivocado sobre o que pensam ser a Igreja Católica e os católicos de um modo geral, sobre nossos costumes, liturgia, ensinamentos, sacramentos e tudo que em nós representa Deus, sua Mãe, os santos e demais seres gloriosos. Se tais pessoas querem persistir teimosamente em seus erros, que não nos arrastem com eles.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pelo Direito de Ter um Amigo [Por Marcos Suzin]

Eu queria um amigo assim, um amigão;
Alguém com quem eu pudesse contar todos os dias;
Que eu não precisasse filtrar as palavras;
Que não me obrigasse a fazer uso da prudência;
E que não exigisse de mim o bom uso da sabedoria,
Para saber se as coisas que me diz são ou não verdade.


Eu queria um amigo que não fosse volúvel, nem solúvel;
Que não fosse degradante, nem desagradável;
E que tivesse coragem de me dizer umas verdades,
Ainda que doídas.


Eu queria um amigo que não fosse um amigo, mas um irmão.
Não me importo se homem ou mulher,
Apenas queria que fosse meu amigo,
Alguém que fosse do mesmo tom, uníssono,
Um perfeito diapasão, que me ajudasse a encontrar o prumo.


Na verdade, nem sei mais o que procuro;
Se um amigo ou um anjo,
Se um anjo ou um santo,
Se um santo ou o próprio Deus.
Só sei que eu queria um amigo que não medisse o sangue,
Não contasse as lágrimas, e não me inquietasse.
Um amigo que soubesse ler os pensamentos e compreender os sentimentos,
Sem, contudo, me julgar por uns ou por outros.


E – mais! – um amigo que me ensinasse a compreender esse completo despojo,
Esse vazio de presença e consolação humanas.
Um amigo que fosse meu arroubo, meu baluarte,
Meu alicerce inabalável,
E ainda assim em nada se ensoberbecesse e de nada se orgulhasse.


E, quando mais procurava e menos entendia,
Descobri que este amigo já existia;
E era mais do que tudo que eu pensava.
Mas com um jeito estranho de mostrar seu amor,
E de entregar seu Coração, oculto num pedacinho de Pão.
(Marcos Suzin, 05-02-2012, 16h30min)