domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Cultura da Desobediência.

                    

Lembro do meu tempo de estudo, no ensino fundamental e ensino médio, não faz tanto tempo assim. Durante esse período, eu não recordo de ter visto uma vez sequer um aluno desrespeitando o professor em sala de aula. A professora era nossa segunda mãe, impunha-se – justamente por isso – respeito.  Pedia-se licença para tudo, erguia-se o braço, e aguardava-se silenciosamente o professor permitir que se falasse. A professora, mesmo que fosse solteira, era respeitosa e solenemente chamada “senhora”, palavra que era uma espécie de pronome reverencial à notável mestra.

Do mesmo modo, lembro que as autoridades eram mais respeitadas. Quando a Polícia mandava parar o carro, meu pai obedecia, e respondia paciente e educadamente todas as perguntas, pois se estava diante de alguém que personificava a Lei, lei esta cuja origem era tida como a vontade comum do cidadão, manifestada através dos representantes especialmente eleitos para tal finalidade. Juízes e Promotores, então, quem ousaria dirigir-se a tais pessoas com grosseira falta de acatamento? O padre era a própria voz de Deus, consolando, corrigindo, admoestando, sendo dele que recebíamos o ensinamento e a catequese com especial reverência, pois se sabia que graves castigos acabavam caindo sobre aqueles que desprezam a correção e a disciplina - eu mesmo testemunhei com meus próprios olhos o destino triste de alguns desobedientes.
                       
 Hoje, porém, está muito diferente. Os professores estão entre os profissionais mais estressados, desrespeitados, e, muitas vezes, objeto de irrisão e vilipêndio por parte dos próprios alunos. Há quem ache “chique” e até conte vantagem em dizer alguns impropérios ao professor, insultos ao guarda de trânsito, mandar às favas as pessoas que representam nossas instituições mais importantes. É a cultura da desobediência, solene e estupidamente instalada entre nós, que se rebela ante a qualquer tentativa de imposição de limites.

Aquilo que era um sinal claro de predestinação funesta, ou de ruína, agora é moda. Acha-se bonito ser rebelde, irreverente, vingativo e insubordinado. As pechas das pessoas que exercem algum tipo de autoridade são a desculpa pronta – um clichê surrado – para a anarquia. Esquece-se, porém, que a ruína continua à espreita da alma desobediente, máxime se esta alma é uma das que ocupa um cargo que deveria ser exemplo de obediência e fidelidade.

A História traz exemplos de pessoas desobedientes que rumaram cega e obstinadamente ao fracasso, ainda que desfrutassem momentaneamente de ilusórios instantes de jactância em razão das conquistas efêmeras, posteriormente apagadas por uma ruína definitiva. Não preciso citar nomes, todos os “conquistadores” da história tiveram sua glória temporal e sua ruína perene, basta verificar com cuidado.

A mesma História demonstra que pessoas extraordinárias foram obedientes, e acabaram eternizadas em suas obras e posteridade. Não só entraram para a História, como a escreveram e protagonizaram constantemente através de seus seguidores.

Abraão foi obediente a Deus, obediência que levou ao extremo. Por esta obediência, deixou sua terra natal, e foi para o local indicado. Por esta mesma obediência, consagrou sua posteridade a Deus, e seus descendentes escreveram páginas marcantes da história da humanidade, influenciando o surgimento e estabelecimento da civilização ocidental. Como fruto da obediência, Abraão ainda vive na sua posteridade.

Moisés foi obediente a Deus e, apesar de gago e sem boa dicção, conseguiu conduzir e liderar uma nação inteira pelo deserto. Moisés vive até hoje pelas obras que deixou.

Jesus Cristo, que é a personificação de Deus, ou seja, a Palavra Divina que se fez ser humano, sendo, portanto, unissubstância de Deus, também deu mostras de quando prezava - e ainda preza - a obediência. Durante trinta anos, apesar de sua divindade, ou seja, da sua igualdade com Deus (Filipenses 2, 5-6), fez-se submisso aos seus pai e mãe humanos. O Evangelho de São Lucas não dá margem a interpretação divergente, pois traz consignado que “Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles” (Lucas 2, 51). Aí já se permite questionar: se Deus, ou seja, o Criador, feito ser humano em Cristo Jesus, fez-se obediente à criatura, não devemos nós guardar a devida obediência ao pais, professores e superiores?

Observe-se que não estou defendendo uma sociedade muda e ingênua, uma juventude sem criatividade e sem o colorido típico dessa etapa da vida. Mas estou a motivar os leitores para que se espelhem com amor em obediência naqueles que já viveram por mais tempo e, justamente por isso, têm experiência e conhecimento para prestar seus ensinamentos e advertir os mais novos sobre os perigos que assolam o mundo. Com efeito, é sinal de grande sabedoria agir com prudência, ouvir os mais velhos, antes de tomas as importantes decisões da vida.

Prosseguindo, observo que Jesus, na verdade, fez da obediência uma de suas principais características, a ponto de dizer “a minha comida e a minha bebida [ou seja, a minha afeição e o meu prazer] é fazer a vontade do meu Pai”. Mais tarde, no Horto das Oliveiras, Jesus chegou ao extremo de dizer “Meu Pai, se é possível afaste-se de mim este cálice [sofrimentos da dolorosa paixão] . Contudo, não seja feito como eu quero, e sim como tu queres.” E Jesus, fez-se obediente até à morte, e morte de cruz.

Como consequência, os filhos de Abraão e os cristãos, apesar das diferenças, estabeleceram a sociedade ocidental, com preponderância dos valores humanos, do amor, da família e do respeito. Estas descendências, em razão da obediência de seus patriarcas, construíram uma civilização como nunca houve igual na história.
                      
Os desobedientes, por outro lado, desapareceram, deixando unicamente uma herança perversa, que não faz outra coisa a não ser suscitar novos desobedientes, com o destino que lhes é apropriado.

A desobediência fez cair o homem primitivo e está derrubando o homem moderno.
                       
Mas, como eu disse anteriormente, no mundo moderno está instaurada a cultura da desobediência, e a ditadura da rebeldia, notadamente travestidas do mau uso da liberdade. Há quem ache bonito, “chique”, “na moda” ser irresignado contra tudo, mesmo sem qualquer motivo ou justificativa sérios. Parecem como novilhos que seguem sambando e saltitando para o matadouro. Fazem assim nas escolas, na vida política, na sociedade e na Igreja. Não se dão conta que o fruto da desobediência é a ruína completa.
                         
Não bastasse isso, ainda há uma perseguição contínua contra aqueles que se fazem obedientes, os quais são impiedosamente tachados e rotulados de “CDFs”, "nerds", “caxias”, “certinhos”, “puxa-sacos”, "papa-hóstias", além de serem continuamente isolados dos grupos. Em outras palavras, os desobedientes não se contentam em traçar a própria rota de fracasso, mas exigem que os obedientes façam o mesmo, comportamento que hoje vem sendo tratado com uma espécie de “bullyng”, e que tem como consequência o isolamento de muitas pessoas, tendo-se a nítida impressão que os desobedientes têm muitos amigos, enquanto que os obedientes são solitários, o que é um engano.
                         
É preciso resistir e conservar esta especial virtude da obediência. Lembro os ensinamentos de Santa Faustina, que dizia que os maiores esforços não são agradáveis a Deus, se não tiverem o selo da obediência, ponderando, ainda, que as pequenas obras feitas com amor e obediência têm um valor inestimável perante Deus (Diário de Santa Faustina, parágrafo 354, página 124).

Com efeito, a obediência, sempre aliada da perseverança, tem frutos incomparavelmente belos e duradouros, que ultrapassam os limites da inteligência humana. Assim como Abraão e Jesus eternizaram suas obras com a obediência, assim também aqueles que lhe forem imitadores o farão. Em outras palavras, a alma obediente, ainda que seja oculta no mundo e aparentemente solitária, escreve sua vida na verdadeira história, colhendo frutos de beleza indizível, amealhando méritos para a Eternidade. A cultura da desobediência, por sua vez, vai continuar produzindo almas arruinadas e fazendo estragos, suscitando frutos amargos de consequência irremediável.

Por último, sugiro que se assista o vídeo abaixo, para que se tenha uma dimensão da gravidade da cultura da desobediência:

http://beta.padrepauloricardo.org/episodios/o-caminho-para-a-desobediencia-ao-papa

2 comentários:

  1. E isso ai irmão que possamos ser obedientes acima de tudo a Deus. Um abraço de todos nos aqui do grupo de oração Imaculado Coração de Maria estamos orando por vocês orem também por nós. Alexandra Praia Grande SC.

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  2. Obrigado Alexandra.

    Sem a obediência não se faz nada. Obediência ao pároco, ao coordenador, às autoridades de um modo geral. Quem age em obediência não erra. Sugiro que você leia o Diário de Santa Faustina, aí você vai entender o porquê de eu levar a obediência a este extremo. Abraços e a Paz de Jesus e o Amor de Maria.

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