segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Caminho da Santa Cruz.


“Por que temes, pois, tomar a cruz, pela qual se vai aos céus? Na cruz estão a salvação e a vida, na cruz a proteção contra nossos inimigos. Da cruz manam as suavidades celestiais; na cruz estão a fortaleza da alma, a alegria do coração, o compêndio da virtude, a perfeição da santidade. Não há salvação da alma, nem esperança da vida eterna, senão na cruz. Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus, e chegarás à vida eterna. ”(Imitação de Cristo, Livro II, Capítulo XII)

O fragmento acima, retirado do livro “Imitação de Cristo”, demonstra bem a importância do tema ora proposto, uma vez que evidencia o estreito e difícil caminho (porta estreita) que deve o cristão trilhar para, em seguimento a Nosso Senhor Jesus Cristo, chegar à Vida Eterna.

Jesus mostrou, com palavras e exemplos, o caminho da vida eterna, afirmando que quem desejasse o prêmio da bem-aventurança deveria segui-lo, ou seja, passar pelo caminho que o Mestre mesmo passou, o caminho da cruz.

Mas, afinal, o que é a cruz? O que significa?

Pode-se, de forma genérica e sem rigor teológico, afirmar que a “cruz” é o conjunto de trabalhos, sofrimentos e dificuldades surgido involuntariamente em nossas vidas, e que somos obrigados a suportar. Em outras palavras, a “cruz” é o conjunto de fardos impostos à nossa existência, dos quais não podemos simplesmente renunciar ou desistir.

No evangelho de São Mateus, Capítulo 7, versículos de 24-27, observamos que:

“24. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.”

Você percebe? Jesus afirma que virão “chuvas”, “enchentes” e “ventos”, que simbolizam os problemas que a vida nos traz. A “casa” somos nós mesmos, e construir a “casa” (nossa vida) sobre a “rocha” significa viver de acordo com a justiça do Reino dos Céus (ouvir a Palavra e a pôr em prática no dia-a-dia). Portanto, se o próprio Jesus afirma que virão problemas, a nós cabe buscar a ajuda divina para resolvê-los e vencê-los, carregando com amor e paciência os fardos, que são as dificuldades enfrentadas durante o período em que passamos por situações dolorosas.

Prosseguindo no Evangelho de São Mateus, observamos que:

“37. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. 38. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á.” (Capítulo 10 37-39)

Aqui Jesus afirma expressamente que quem não toma a sua cruz e não O segue não é digno dEle. Este trecho demonstra que a cruz é indispensável à salvação, ou seja, somos obrigados a vencer nossas situações dolorosas e adversas, sob pena de não sermos dignos da salvação prometida por Jesus. Quando a “cruz” fica demasiadamente pesada, não temos outra escolha a não ser buscar a força do alto, rezando insistentemente, até que tenhamos vencido, pela misericórdia de Deus, todos os nossos problemas.

Ainda no Evangelho de São Mateus (16, 24-27), observamos que:

“24. Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. 25. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á. 26. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?... 27. Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras.”

Neste trecho, Jesus afirma que a opção pelo Reino dos Céus exige renúncia e assunção da cruz. Em outras palavras, para se chegar ao Céu é preciso renunciar a tudo quanto se opõe a Deus, bem como suportar com paciência os trabalhos e as dificuldades impostas pela vida.

Em Mateus 7, 13-14 Jesus já havia afirmado que:

“13. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. 14. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.”

Isso significa que a opção pelo Reino de Deus exige esforço, esforço este que consiste em carregar a cruz e morrer nela até que Deus tome a decisão de aliviá-lo. Em outras palavras, o Reino de Deus é uma conquista das pessoas que lutam e pelejam, carregando sua cruz com amor e resignação, aceitando tudo o que lhes acontece, buscando sempre a força de Deus para superar as adversidades. Os acomodados e ociosos não sabem o que é, e abominam o caminho da Santa Cruz, pois escolheram deliberadamente a “porta larga” e o “caminho espaçoso”, que leva à perdição da alma.

No livro “Imitação de Cristo” consta que “Deus quer que aprendas a sofrer a tribulação sem alívio, sujeitando-se de todo a ele e fazendo-se mais humilde com a tribulação”. (Livro II, Capítulo XII). Lembre-se, ainda, que “Ninguém sente mais vivamente a paixão de Cristo que aquele que padece penas semelhantes”.

Quero, ainda, propor uma pergunta, um questionamento:

E SE EU FUGIR DA CRUZ?

“Se te eximires duma cruz, acharás certamente outra e por ventura mais pesada.”. Você percebeu? A “cruz” a gente aceita e carrega, não fazendo pouco quem suporta os trabalhos com paciência e resignação, isto é, sem revoltar-se. Quem carrega a sua “cruz” busca em Deus a consolação, força e alívio, que serão concedidos no tempo certo, conforme a sabedoria do Altíssimo. Lembre-se, que carregar a “cruz” é um exercício espiritual importantíssimo, sem o qual o homem não passaria de um animalzinho pensante (e mal pensante), e que quem foge de cruz é o “diabo”, não os seguidores de Jesus.

Além disso, observa-se que “todos os sofrimentos desta vida não têm proporção alguma com a glória que nos é prometida” (Romanos, 8, 18). E, convenhamos, é tudo o que nos interessa.

Por último, transcrevo parte de uma pregação de Dom Henrique Soares: "Faça a experiência do ESCÂNDALO DA CRUZ."

"...Gente, não brinquem! O mundo não é bonzinho nem simpático, os cristãos não são simpáticos ao mundo. A gente é tolo em achar que o mundo está de braços abertos pra gente. Jesus preveniu: "O mundo vos odeia... E odiou a Mim.". Jesus disse!... O que é odiar? Odiar no sentido bíblico é não querer bem! O mundo não nos estima, nós somos uns chatos; nós somos aquele que vêm lembrar o mundo coisas que o mundo não quer, de modo nenhum, aceitar. Não se iludam, gente! (...) Veja, a gente [nós] aceita a cruz com repugnância!... A gente [nós] pra aceitar a cruz tem de brigar a vida todinha pra se converter; e a gente quer fugir dela o tempo todo; a gente que é cristão; a gente que ama o Senhor; e vocês esperam que os de fora aceitem essa cruz brincando?!... Que juízo é esse da vida? A Cruz não é lógica, o caminho da Cruz não é um caminho natural; o caminho natural é o 'Eu cair fora' , 'é escapar, 'é eu salvar a minha vida'. O caminho natural é o que vocês vão escutar hoje, 'os doze fugiram', 'só deixaram [Judas] porque a marca do beijo da traição e...' 'e foi embora'. É interessante que no Concílio Vaticano II se discutia muito sobre a colegialidade episcopal, como os apóstolos eram um colégio [colegiado, grupo de pessoas], quer dizer, um grupo, de doze, tendo Pedro como 'cabeça'; os bispos são um colégio episcopal sucessor dos apóstolos, tendo o Bispo de Roma, o Papa, como 'cabeça'; aí tinha um Cardeal, o Cardeal Giuseppe Siri, aí ele, 'abusado', disse assim: 'Me mostrem no novo testamento uma única vez que os apóstolos tenham agido como colégio, como grupo? Porque eu só conheço uma, só uma vez os apóstolos agiram todos juntos: 'Eles correram e deixaram o Cristo sozinho.' E esta é a nossa tentação: 'Correr e deixar Cristo sozinho'. Na hora da humilhação, na hora do sofrimento; pegar a cruz e esconder [fez o gesto de mostrar a cruz para os fieis], colocar no bolso ou por dentro da camisa; é um jeito de dizer: 'Não conheço esse homem! Eu não tenho parte com Ele!' A Cruz não é lógica, nem pra gente e nem para o mundo. Quem acreditou naquilo que ouvimos, que o Filho de Deus, que o Messias seria crucificado (...). Eu insisto: 'Querem fazer a experiência do que é o escândalo da Cruz, no próximo sofrimento de vocês, o próximo momento difícil da vida, porque ele vem, né? A gente passa por período horríveis na vida, horríveis! Pois bem, no próximo período em que vocês estiverem assim, chorando, se acabando, vendo tudo fechado, você OLHEM PARA A CRUZ!... E digam: 'Senhor, é isso, né?' A Cruz a gente suporta, e abraça por amor de Jesus!... Como Jesus abraçou a dele. Então, não esperem... Vejam, a lógica de DEUS o mundo não aceita, não aceitará nunca!... Porque para a aceitar Cristo, tem que existir uma coisa chamada CONVERSÃO. Isso é pra mim que sou Bispo, é prá você... Ninguém aceita o Cristo: 'Ah! Que beleza! Que lindo! Que nada!..." Jesus fala, CON-VER-TEI-VOS!... Se é beleza, se é lindo, deixe seu pecado, deixe sua vida do 'seu jeito', e venha viver 'do Meu Jeito' [de acordo com a vontade de Deus] . E aqui a 'porca torce o rabo'; aqui muitos 'balançam cabeça' e dizem: 'Não, esta palavra é dura'. E Jesus não muda, nem 'dá desconto', nem 'faz abatimento'..."

Por isso, aceita sua Cruz e imite Jesus em tudo.

Marcos Suzin.


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